— Espera! Espera! Para onde vamos? O que você pensa em fazer? − pergunta.
— Nós vamos nadar. − respondo baixo e sorrindo perto do ouvido dele.
— Nadar? Você é louca? Eu não sei nadar! Não posso nadar. Não conseguirei nadar. Estou em uma cadeira de rodas, esqueceu?
— Não vou deixar você desaproveitar sua vida em cima disso. − digo.
— O “disso” me impede de andar e aproveitar a vida. − responde.
— Nada a ver! − respondo alto.
— Tudo a ver! − diz ele, segurando as rodas e me olhando.
— O passarinho tem patas, mas prefere usar as asas. − retruco.
— Passarinho? Patas? Asas? Mas… Isso não faz o menor sentido, Celeste! Pirou de vez?
— Pois é. Da mesma forma que sua cadeira de rodas também não faz sentido. Ok?

Empurro a cadeira pela grama e o levo para a beira do lago. Ele me olha como quem não acredita que eu faria aquilo, mas, no fundo, ele queria que eu fizesse aquilo. 

— Consegue sentir? − pergunto. — Adoro esse lugar! E esse cheiro… Me faz sentir liberdade. − completo.

Ele fixa seus olhos nos meus. 

— Isso só pode ser loucura. − diz ele. 
— Isso só pode ser amor. − digo.

— Diário de um sonhador / CELESTE 

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