[…] A distância parecia não ter fim naquela estrada de barro. Corria desesperada, sem fôlego para chamá-lo. Mas gritou seu nome em pensamento. Suas pernas a ponto de darem um nó entre si, e suas sapatilhas vermelhas quase saindo dos pés. O defeito no solo seco não fazia diferença, ela só pensava em alcançá-lo. Ao longe, de costas, ele solta as malas no chão. Parecia sentir que ela se aproximava, mas não olhou para trás. Ao chegar mais perto, Najla segura em seu braço direito, e fica de frente para ele. Olho no olho.
Respirando descontroladamente.
— Onde…? Você pensa…? Que vai…? Onde? — ela pergunta, ofegante.
— Você me mandou embora. Nunca mais, você disse. Nunca mais. Estou indo. — responde Mário, com os olhos cheios de lágrimas
Najla respira forte e balança a cabeça dizendo não.
— Não faz isso comigo. 
— Você me mandou embora, Najla! — diz ele num tom mais alto.
— Não… Não! — responde ela, tocando em sua nuca.
— Embora! Você me mandou em-bo-ra! — grita Mário, na última palavra.
— Eu não te mandei embora! Mandei você pegar tudo que era seu, e se mandar dali! Que aquela vida não seria a nossa! Você esqueceu do mais importante, Mário: DE MIM! Eu era sua. Sempre fui! Sempre serei! Por que você nunca entende?! — desabafa Najla.
Juntos, chorando, encostam suas cabeças. Mais um momento marcado na vida dos dois. 
— Diário de um sonhador / Morangos Secos
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